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Máscara de ventilação desenvolvida na UFS auxilia pacientes com covid-19

Três unidades de saúde do estado já utilizam tecnologia em leitos de enfermaria. 01/04/2021



Josafá Neto e João Vitor Moura* | Rádio UFS - A insuficiência respiratória é um dos principais sintomas apresentados por pessoas que necessitam de hospitalização por causa do novo coronavírus. E diante do aumento da demanda por leitos de internação no pico da segunda onda da contaminação, um grupo de pesquisadores do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Sergipe (UFS) desenvolveu o Spirandi. Trata-se de um sistema de ventilação não-invasiva, cuja finalidade é auxiliar o tratamento de pacientes com quadro leve ou moderado de falta de ar.

O equipamento de baixo custo e fácil montagem pode operar por meio de gases fornecidos pelas linhas de oxigênio da unidade hospitalar e por cilindros, ou ainda conectado a um ventilador mecânico. A tecnologia é baseada nas máscaras de ambu, que permite o uso de diferentes métodos de oxigenoterapia e de ventilação não-invasiva.

O projeto é liderado pelos professores do Grupo de Pesquisa em Instrumentação Eletrônica da UFS, Tarso Vilela Ferreira, Eduardo Oliveira Freire, Elyson Ádan Nunes Carvalho e José Gilmar Nunes de Carvalho Filho. Ao todo, 20 voluntários participam da iniciativa, entre professores e alunos da Universidade e profissionais de saúde.

“Tínhamos adquirido vários ambus que tem uma máscara que estava sendo descartada no desenvolvimento de ventiladores mecânicos em outro projeto. Nessa linha, pensamos em estratégias de como aproveitar essas máscaras que seriam desprezadas para desenvolver uma nova alternativa para a ventilação não-invasiva para os pacientes. Foi daí que surgiu a ideia de desenvolver a Spirandi,” destaca o professor Eduardo Freire.


Produção das máscaras

O processo de produção do sistema de ventilação não-invasiva é considerado simples. A máscara pode ser montada rapidamente em menos de 15 minutos. Por conta das medidas restritivas de distanciamento físico para evitar a propagação do novo coronavírus, os voluntários estão montando os equipamentos sem sair de casa.

“Contamos com a parceria do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e do IFS (Instituto Federal de Sergipe) no fornecimento das peças para o acoplamento de uma parte do circuito e outra peça produzida por máquinas a laser,” ressalta Freire.

Funcionamento do sistema

O sistema contém uma máscara convencional de reanimador manual com um suporte para fixá-la no rosto do paciente. Na outra ponta do equipamento, um adaptador de O2 leva o gás até o paciente por meio de uma mangueira de oxigênio numa traquéia de inalador, passando por um filtro respiratório. A tecnologia também tem uma válvula que permite ao profissional de saúde regular a pressão de ar do sistema de ventilação.

“O processo consiste em levar até o nariz do paciente o fluxo de oxigênio da rede hospitalar. A máscara tem uma vedação na parte do rosto que permite criar pressão positiva, que dentro dos pulmões do paciente contribui para a dilatação dos pulmões, fazendo com que os alvéolos fiquem dilatados facilitando o processo da troca gasosa. A máscara ainda contribui para que o paciente não inale CO2. Esse gás exalado pelo paciente só chega ao meio ambiente após passar por um processo de filtragem, garantindo dessa forma a purificação do ar,” complementa Eduardo Freire.


Auxílio em hospitais

O primeiro lote com 12 máscaras foi doado para três unidades de saúde de Aracaju-SE para auxiliar o tratamento de pacientes em leitos de enfermaria com casos leves e moderadores do novo vírus respiratório. São elas, Hospital de Urgência Governador João Alves Filho, Hospital São José e Unidade de Pronto Atendimento Fernando Franco.

"A máscara tem sido muito útil para os profissionais de saúde da linha de frente na assistência hospitalar, porque ela diminuiu o risco de intubações dos pacientes, além de auxiliar no processo pós-extubação e no desmame de oxigênio, quando a pessoa é retirada da ventilação mecânica. Os pacientes têm se adaptado bem ao uso da máscara. Ela é muito confortável," conta a fisioterapeuta do HUSE, Thaise Araújo de Jesus.

Como posso ajudar?

Para contribuir com o projeto e ajudar a salvar vidas, as doações devem ser feitas através da vakinha virutal ou fazendo PIX para a chave: contato.spirandi@gmail.com

“Já adquirimos materiais para montagem de 60 máscaras através de doações. Além disso, está em curso o projeto Tô com a UFS, em parceria com os Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, que já está viabilizando a encomenda de material para a montagem de mais 80 máscaras de ventilação não-invasiva. Com isso, devemos produzir e distribuir em torno de 280 máscaras a médio prazo," finaliza o professor.

*Sob supervisão de Josafá Neto


Para acessa o link da reportagem, clique aqui

Sistema desenvolvido na UFS é considerado de baixo custo e fácil montagem



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